Posso até ser pobre

​Posso até ser pobre
E não ter muito para dar,
Mas não me pinto de cobre
Só para os outros agradar.

Posso não ter uma vivenda
E ter uma casa para acabar,
Mas és tão mais pequena
Que vou fazer de tudo para te calar.

Por trás até podes rir de mim
As vezes que tu bem quiseres,
Amanhã sou eu que me rio de ti
Na frente de homens e de mulheres.

Continuas a gozar
E a pensares que és superior,
Um dia as coisas vão mudar
A lei há de entrar em vigor.

Um dia vais cair
E à minha porta bater,
Vou estar cá para assistir
À tua queda do poder.

Anúncios

Alma de poeta, alma de pintor.

Alma de poeta
Alma de pintor,
Sentimentos desperta
Ser humano criador.

Criador e não só
De poemas e pintura,
Também sabe dar o nó
Quando se fala de ternura.

A ternura dos oitenta
Muita gente não dá valor,
Mas eu digo como poeta
Que para eles tenho muito amor.

Amor esse para dar e vender
A quem queira aceitar,
Só me quero fazer crer
Que a ninguém estou a aldrabar.

Aldrabar não é comigo
Não tenho alma de aldrabão,
Se o pensam fico sentido
E com toda a razão.



Gata safada

Um gato na rua 
Perdido e abandonado,
Ao frio e à chuva
Todo desorientado.
Pegada por pegada
Ele lá ia andando,
Uma gata safada
O ia atropelando.
Sem querer, não sei
Mas safada ela era,
O gato eu matei
Disse ela com ar de fera.
E agora o que faço?
Estou sofrendo horrores,
Disse a gata safada
Depois de tantos rumores.
Nisto o gato sorriu
E a cauda abanou,
Disse à gata safada
Ainda não foi desta que me matou.


Passo a passo 

Passo a passo vou andando
Neste mundo sem ter fim,
Vou até recitando
O que vai dentro de mim.

Seja amor, seja amizade
Aqui tratasse de sentimentos,
Não trago ódio nem rivalidade
Ou qualquer tipo de ressentimento.
Tenho um lado bom e um lado mau
Como toda a gente tem,
Vou andando passo a passo
tentando chegar mais além.
Peço ajuda e quero ajudar
Quem realmente vejo que merece,
Faço os possíveis para não abandonar
Este ser humano que muito cresce.
Vem tudo da educação
Que a família possa passar,
Se não a tomas não é razão
Para que meio mundo possas enganar.
Passo a passo vais percebendo
Naquilo em que te tornaste,
Vendo o reflexo no espelho
Do que mais te aproximaste.
Sigo as regras do jogo
Que se apresenta como a vida,
Vi no reflexo do espelho
Como iria ser a minha.
Escrevo tanto que nem sei
Onde cabe tanto pensamento,
Tanta vez que já errei
Que maldito procedimento.

Imagem criativa

Imagem criativa
Do ato da beldade,
Amor proibido 
Esta é a realidade.
O meu estado enquadrado
Num retrato mal encarado,
Divisão por divisão
Na entrada do coração.
Poesia esta
Escrita por mim,
Ideia ou pensamento
A enquadrar neste fim.
Nasceu a paixão
Brilhante como uma estrela,
De um amor proibido
Fechado numa cela.
Pessoa que és
Pessoa que serás,
Ser humano que de um não
Recuou para trás.
Barreira divisória
Que ultrapassar não consigo,
Foste conto foste história
E agora és um mito.
Entraste, ficaste
E durante um tempo amaste,
Valeu , fortaleceu
Um amor que agora morreu.
Amei com tudo errei
Criei e não recuei.
Contigo aprendi,
Imaginei, reconstruí
E também respeitei.
Venero com isto espero
Que nunca digas, que critiquei,
Tu mentiste, eu menti
Tu partiste, eu parti.

Chora

Não sei que palavras te dar
Para apaziguar a tua dor,
Talvez seja melhor calar
Ou te dar um gesto de amor.

É uma situação delicada
Mas olha, não estás sozinho,
Eu até podia ficar calada
Mas tinha de dizer algo sentido.

Sei que partiu
Sem hora nem data marcada,
Mas lembra-te que sorriu
Memória essa a ser recordada.

Tens pessoas que gostam de ti
Que te apoiam neste momento,
Se não, não estaria aqui
A dizer o quanto lamento.

Chora, não tenhas vergonha de o fazer
Chora até à última lágrima,
Chora até desaparecer
A dor que sentes, a tua mágoa.